Subi no alto de uma roseira,
Pra cultivar paixão grandiosa;

As agulhas verdejantes penetravam o celeste do céu,
Copiado pelo mar,
Navegado pelos homens...

Os espinhos sempre ferem,
Poesia que dói...

És ferida, és cura, és a minha procura pela minha rosa...

Um dia já foi minha,
Em um copo com água a deixei à amostra,
Para que todos vissem como era linda minha rosa.

Como posso fazer da poesia meu escudo?
Como posso fazer de um espinho de roseira meu punhal?
[...]
Como pode ser tão linda essa paisagem grandiosa?

Abrangente, porém hostil...
Ostentando a mais bela das flores...

Poesia cantada pela Lua e pelo Sol,
Nos ouvidos um zumbido...
Em um, sustenido, no outro, bemol;

Subi no alto de uma roseira e já não penso mais em descer,

Me deixa ficar aqui mais um pouco,
Me deixa sonhar sem pensar que sou louco

Os espinhos sempre ferem,
Poesia que dói...

Trago alguns junto ao meu peito,
E já não penso mais em me curar...